Um dia qualquer, 11 de maio, qualquer hora.

|Einstein|

Seus sapatos já não lhe servem mais, ele olha para a parede e pensa: “o que te fiz vida?”. Põe, ainda assim, e sai, concatenado. O violinista da esquina, de tanto ouvir, quase inaudível, o cheiro de sangue no chão, quase inexistente.
Sua cadeira, quase sem sentimentos. Era feliz, sim sim, era feliz! A vida, de tanto viver, lhe poupou dela mesma, e assim, logo, vivia melhor! Sua cadeira, os cheiros, aquele maldito violino estridente, nada mais lhe aborrecia.
Mas, dor nova de sapato desconfortável, nova, nova, nova! Não acreditaria, já havia se acostumado a tantos imprevistos, porque logo esse não? O sapato não doía-lhe sempre? Ou seria seu sapato diminuindo, conforme andava? Conforme pensava? Conforme concatenava, sobre seu próprio sapato?
Decidiu para de pensar, parar de pensar em tudo, pois logo, nada lhe apertaria. Sua vida não lhe socaria, o violino não rasgaria seus ouvidos, o sangue não incomodaria seu temor. O seu sapato não lhe apertaria? Talvez fosse o próprio sapato que pensava.

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~ por Morte. em dezembro 17, 2011.

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