O mesmo Sol, o mesmo tempo. A mesma rouquidão, os mesmos gestos. Horas, anos e séculos. Sem distinção entre um segundo ou a eternidade. Enojou-se da placidez divina com que fora coroada. Queria escrever algo visceral mas não havia nada em si para ser transformado em algo mágico como deveria ser. Onde estavam o sangue, a dor? Estavam no mesmo lugar de sempre logicamente, porém, não eram poéticos o suficiente dessa vez. Quieta desejou iludir-se novamente com o gosto pesaroso que aquela outra língua forçava a sua a sentir. Tentou iludir-se até mesmo com a TV, musicas e gestos. E nada. Havia tomado tanto gosto por sentir-se a parte do que compunha o cenário de sua rotina que até disso agora sentia nojo, repulsa, receio. Embriagou-se, de novo. E quase sufocou com as palavras que entupiam sua garganta mas que eram prematuras demais para deixa-la. E deixou-se deitada, estática, muda, plácida. Quase mergulhada em inexistência, sorriu ao vento, ao mar, a sua insensatez e ao seu tédio. Onde estavam o sangue, a dor, a poesia? Onde , meu Deus? Esperou ouvir uma resposta de seu ego divino. Não ouviu nada. Sorriu outra vez, ao vento, ao mar, ao infinito, ao seu tédio, a sua loucura e a sua diminuta lucidez.

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~ por Cirurgião em março 4, 2011.

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