Apresentação Imerecida, Desnecessária

Não mereço olhares, pausas e dramas. Quero apenas o cessar dos ruídos, a calmaria do silencio. Desejo dormir e afundar-me em algo mais profundo que o pesado tédio que respiro. Quero um fogo sem dor que me envolva com chamas etéreas, translúcidas. Enoja-me desde muito tempo a passividade da vida que me pesa nas veias, em toda a extensão da minha pele e vaza no meu suor. Enoja-me a docilidade dos vivos. Então, hei de ir aos mortos, tocar-lhes a fronte fria, amontoar corpos, dobrá-los a minha vontade, tirar das órbitas nuas, dos peitos que não mais hão de arfar a chama crua de tristeza e dor pra semear a minha vida.

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~ por Cirurgião em fevereiro 26, 2011.

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