Seco como água

•julho 28, 2012 • Deixe um comentário

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É difícil a caminhada sabendo que atrás de você esta um corvo esperando pelo almoço. Pensava José, ou era apenas eu que pensava nisso? Afinal José já não pensava, apenas vivia.

Com um chão que lhe servia de realidade e com um olhar perdido na saudade de uma época que ele mesmo não viveu, José apenas andava… quase sem rumo, perdido em meio a uma civilização selvagem.

Já criança havia perdido seus pais como muitos dos seus amigos de trabalho.  Amigos? Desculpe meu erro, apenas conhecidos, ou melhor, crianças mudas de seus destinos e cansadas de trabalhar a sua infância.

José cresceu em meio a coisas que ele não entendia, isso quando ele tinha conhecimento da existência dessas ditas leis do mundo. Confundia-se ao pensar como ele poderia sentir fome enquanto outros jogavam, ao montes, comida no lixo. Mas José não tinha tempo pra essas besteiras… Pensar… Que desatino… José tinha que calar-se e trabalhar, ele tinha que sobreviver.

Acostumou-se com o tempo em migrar como uma ave, do sertão pro litoral fugindo da fome e da morte. Chegou a passar anos longe de sua terra, sendo abusado pelos que deveriam protegê-lo, apenas pra manter viva a esperança de voltar algum dia.

Hoje, já não sabe se esta indo ou voltando. Já se confundi a paisagem com seu olhar que não mais carrega água e sua mente que não leva alegria ou esperança.

Seu único companheiro é o corvo, que espera sua morte.

Pobre corvo; desatina José… Pobre corvo que espera a morte de alguém que nunca teve vida.

Dia 1

•março 8, 2012 • Deixe um comentário

 

Venho escrevendo esse texto há algumas semanas. venho disponibiliza-lo aqui pois estou gostando do resultado. Ele vem de meu outro blog: http://www.minhalixeirapessoal.wordpress.com. Fiz esse blog especialmente para esses tipos de texto.

Trata-se de um romance policial com elementos psicológicos, em que o personagem principal é um investigador da polícia.

 

Dia 1.

 

Dedilhando sua carteira, como a pensar, Jânio olha a cena intrigado.

“Ei, Venha cá. Traga-me meu café, logo.”

O homem solicitado, pisando cuidadosamente, sai do recinto.

O Café é elemento essencial, são cinco da manhã. A chuva, parada há tempos, agora ameaça a cabeça dos cidadãos com seus alfinetes gelados novamente. Fora já se vê a aglomeração de seres, estes agora como pássaros, que depois da chuva procuram alimento entre as folhas derrubadas pelo vento. A cafeteria, logo a esquina, já cheia com o movimento da manhã, cheia de transeuntes curiosos, estes mantêm a descrição. Olham apenas da janela, como se aquele vidro os fossem proteger do frio mundo exterior.

Jânio olha o seu relógio e se sente satisfeito. Passou a noite ali, e agora acha que já tem provas suficientes para a investigação, só está a espera do IML.

A loja em que ele se encontra se estende em duas formas vermelhas, paralelas ao chão, delineadas na parede. O piso é de mogno muito antigo, com imensas fissuras. No teto existem 2 ventiladores, que não funcionam há anos, deduzindo-se isso apenas pela grossa camada de poeira existente nas pás. No centro anterior da sala, encontra-se uma cadeira, repleta de manchas de sangue. O cadáver foi encontrado no chão, com as costas escoradas a parede direita da loja. Pela vitrine, transparente como cristal, era possível ver claramente a sala, a cadeira e o cadáver. Uma cena quase grotesca, mas bela. As nuances da manhã pintaram um lindo quadro daquele assassinato.

A ambulância do IML estaciona em frente a loja. Descem dois homens vestidos de branco, como se fossem enfermeiros, como se fossem salvar uma vida. Entram e começam os preparativos para o corpo, levam um caixão de plástico preto, esse jaz do lado da vítima. Mas a vítima não quer ser salva, ela reluta com entusiasmo a entrar em seu caixão, só depois de uma injeção de calmante que é possível ajeita-lá confortavelmente em seu descanso.

Jânio pisa na soleira e nota que está chovendo. A chuva escorrendo pelo meio fio, as pessoas correndo a procurar abrigo, como se essa chuva fosse mata-lás. Pela sarjeta desce um barquinho de papel, como a chuva é bela. Leva embora, indiscriminadamente, tudo. Gostaria tanto que essa mesma chuva levasse aquela cena embora, o sangue que jorra do céu não é diferente do nosso, esse ainda tem o mesmo sentido, é o choro da natureza, a hemorragia da alma. Seu sobretudo já está embriagado de pensamentos. Pára um momento sob um toldo, olha o céu e vê apenas as nuvens cinzas.

Seu apartamento não é muito espaçoso, três cômodos breves, todos em cores pasteis já totalmente sujas com o tempo. Mora no centro velho de São Paulo, uma travessa da rua Direita. Não aparecia muito ali, pois só lhe convia o sono, esse o qual não era sempre, pois quando não era o trabalho, era a própria vida que o tirava de seu sono. Como falávamos, o café é essencial.

Entrou no apartamento, despejou-se na prateleira mais próxima e foi ter seu sono psíquico.

Velha Guarda, Nova

•janeiro 27, 2012 • Deixe um comentário

O garoto entrou em meu escritório
Com suas camisas coloridas
De marcas que não sei nomear
Grande garoto, por que se veste assim?
Perguntei

Eles não aceitam mais velharias
Eu tenho um contrato
Vou decolar

Você não se vestia assim
E já faz sucesso

Não existe mais nova velha guarda
Meu contrato me decolará ao topo
Sinto muito

Pobre do garoto
Seis longos anos fazendo sucesso ao meu lado
Pouco sucesso
Subiu ao topo em uma semana
Ficou lá seis meses

Sumiu
E nunca mais ouvi falar nele
Não pude oferecer um charuto ao mesmo

A Montanha Mágica

•janeiro 1, 2012 • Deixe um comentário

Revólveres ainda trazem a face da morte.

Entre si, Dialogam com a linha tênue em que vivemos.

Flores ainda carregando os aromas do verão, meu corpo estendido em qualquer lugar do quarto.

Só me lembro do dia em que as águias vieram me prestar homenagem.

Rodeavam o sol, em suas sombras aladas.

Rasgavam o chão com suas asas, esguias.

O revólver nem deveria estar carregado.

As águias cada vez mais perto,

O meu quarto, nunca existiu.

Sempre achei interessante,

Sempre achei sombrio,

O quanto águias,

São como a face imponente do vento.

São rainhas.

São rainhas da morte.

Tinha até me esquecido.

Águias parecem com abutres,

não é?

Só mais um tratado sobre os nós.

•janeiro 1, 2012 • 1 Comentário

Sempre me dá vontade de escrever sobre as mesmas coisas.

Sobre as mesmas manhãs.

 

Sempre tenho vontade de dizer “olá” ao vento.

Nem sei bem porque.

 

Mas, agora, eu sei.

Tudo aqui já passou.

Não escrevo as mesmas coisas.

 

Só o tempo que brinca comigo.

Só o tempo que dança, em voltas,

Gritando.

 

Não sou eu que escrevo as mesmas coisas.

Nunca seria.

 

Só sou eu, revivendo sempre os mesmos momentos,

Com medo de viver.

Com medo de morrer.

 

16 de novembro.

•dezembro 29, 2011 • Deixe um comentário

Ás vezes me chamavam por nomes estranhos. Nunca pude me recordar de nenhum, como poderia? Puseram-me para dormir, cada dia, com nomes diferentes, lugares diferentes, almas diferentes, talvez até, pessoas diferentes. E, sempre me senti como eu mesmo. Como eu mesmo, poderia ser, qualquer outro? Mas sempre dormia bem.

Talvez fosse apenas para eu dormir mesmo, sonhar com outro. Sonhar em não ser ninguém. E, quase era natal. Meu sapato na soleira, minha imaginação no céu.

Ontem, 21 de maio, 25 Horas.

•dezembro 27, 2011 • 1 Comentário

 

Nossa perfeita insignificância dentro do universo. Leu isso em um grande livro de autor desconhecido, olhou e riu-se, riu-se como da maior comédia possível, quando morrem por matar. Quando matam para não morrer. Quem diria isso? Realmente, vos digo que infelizmente era o único insignificante nesse nosso universo. E o tempo passava, e passava e, passava.

Passava com o passado, que agora é mais passado que quando era já passado. E como um gesto de loucura de alguém que não quer lembrar-se de noite de algazarra e treslouquices, simplesmente, se deslembra. E nisso, inspirado nisso, desvairado com tal fato, o tempo vos copia! E quanto mais queres esquecer, esqueceras. Mas, do mesmo modo em que escolhes o que esquece, agora o tempo escolherá para você, e, cada simples passo que der, cada felicidade, cada amor, cada, vida! Esquecera, esquecerá do mesmo modo que acorda depois da ressaca, ressaca de pinga velha, de whisky velho,  e de até um suco de uva vencido.

 
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